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PALAVRA DO REITOR - ANO SANTO DA MISERICÓRDIA

26/03/2016

O ANO SANTO DA MISERICÓRDIA
 
Tendo início no passado dia 08 de dezembro, p.p., Solenidade da Imaculada Conceição, devendo ser concluído no dia 27 de novembro, p.f., Solenidade de Cristo Rei, o Papa Francisco declarou um Ano Santo da Misericórdia. Trata-se de mais um Ano Santo Jubilar Extraordinário. Os anos jubilares foram instituídos por determinação do próprio Deus, ainda no período do êxodo (confira Lv 25, 8ss). Nesse ano jubilar do Levítico, dever-se-iam contar sete (07) anos sabáticos (a cada 7 anos chamava-se de Ano Sabático) e no seguinte, isto é, no quinquagésimo (50o.) ano, declarar-se-iam quitadas todas as dívidas. As propriedades seriam devolvidas a seus proprietários ou herdeiros, os escravos seriam libertados. Deus queria uma sociedade justa, sem muitos desequilíbrios econômicos.
O Papa Bonifácio VIII, declarou, pela primeira vez, um ano santo jubilar em 1300. Nesse ano, quem fizesse uma peregrinação aos túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo, se confessassem, comungassem e rezassem pelas intenções do Santo Padre, receberiam uma indulgência plenária.
Desde então, a cada cinquenta anos, temos tido, com algumas exceções, um ano jubilar "ordinário", isto é, normal. O último nós tivemos para celebrar o ano 2000. A par com os anos jubilares ordinários, alguns papas tem declarado alguns outros anos jubilares extraordinários. Em 1965, para celebrar a conclusão do Concílio do Vaticano II, o Bem aventurado Papa Paulo VI instituiu um ano jubilar extraordinário. Para comemorar os 50 anos da conclusão do Concílio Vaticano II, nosso Papa Francisco resolveu instituir este Ano Jubilar Extraordinário da Misericórdia.
Para se conseguir a indulgência plenária, ao longo deste ano, é preciso passar pela "porta santa" (aqui em Campinas, na Catedral Metropolitana de Campinas e na Basílica do Carmo) e cumprir as demais exigências: confessar-se, comungar e rezar um Pai Nosso, uma Ave Maria, um Glória ao Pai e o Credo, pelas intenções do Santo Padre.
 
O que é uma "indulgência plenária"? Nós católicos acreditamos que durante nossa vida os muitos pecados que cometemos deixam um rastro de mal que nunca conseguimos extinguir totalmente, nem pelo arrependimento nem pela confissão. Se matamos alguém e somos perdoados, não seremos presos, mas a pessoa morta, continua morta. Os que amavam tal pessoa ficarão com o sofrimento do ente querido perdido para sempre. Se ofendemos alguém verbal ou fisicamente, e nos arrependemos e pedimos perdão, nem por isso conseguimos extinguir a mágoa que deixamos com nossa ofensa nem tiramos a dor que provocamos com nossa agressão física. Por isso, ao morrer, precisamos ser purificados para podermos encontrar a Deus pessoalmente. Daqui a necessidade do Purgatório, estado em que somos purificados dos males que provocamos e que não conseguimos sanar em vida.
 
Partindo da afirmação do Credo "Creio... na comunhão dos santos", a Igreja instituiu as "indulgências". Nós partilhamos das coisas santas da Igreja, isto é, como membros distintos do único corpo cuja cabeça é Cristo (confira 1Cor 12), tudo o que fazemos, de bom ou de mal, pertence ao, afeta todo o corpo de Cristo. Imaginemos que todos nós, membros da Igreja, trabalhemos e que, todo e cada centavo recebido, colocamos numa única conta comum. Dessa conta, cada um de nós, independentemente de quanto tenha nela colocado, tira tudo o que precisa para se manter. Esta conta nunca fica negativa porque seu grande garantidor, o garantidor dessa conta comum, são os méritos da vida, paixão, morte e ressurreição de Cristo. Ele garante que tal fundo nunca se extinga. Assim, cada coisa boa que fazemos, cada oração, cada obra de misericórdia, cada sacrifício e cada renúncia que fazemos por amor, vai para tal fundo. Uma indulgência plenária é um mérito sem limites para quem estiver sendo purificado no Purgatório.
Ao conseguir uma indulgência plenária nós estamos conseguindo méritos suficientes para livrar totalmente alguém que esteja sendo purificado no Purgatório. Podemos oferecer para nós mesmos (como um crédito futuro) ou, como fez Jesus, oferecer a Deus para que Ele a use para quem mais precisar.
Podem-se conseguir tantas indulgências quantas quisermos, sempre observadas as exigências requeridas. Isto limita à possibilidade de uma por dia, pois devemos comungar, entre outras coisas, para consegui-la.
Normalmente, a Igreja concede também indulgência plenária no dia 02 de novembro, Memória dos Fiéis Defuntos, ao participar de uma missa ou visitar um cemitério, sempre observadas as exigências requeridas: confissão, comunhão, Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai e Credo pelas intenções do Papa.
Que este Ano Extraordinário da Misericórdia possa motivar nossa generosidade e conseguirmos muitas indulgências em benefício de nossos irmãos falecidos. Que o bom Deus nos abençoe!

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